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SPF, DKIM e DMARC: o guia prático para o e-mail da sua empresa chegar

Wesley Silva··5 min de leitura
Resposta direta

SPF, DKIM e DMARC são registros publicados no DNS do seu domínio que provam ao provedor de destino que a mensagem é mesmo sua. O SPF autoriza quais servidores podem enviar; o DKIM assina a mensagem com criptografia; o DMARC amarra os dois ao domínio que aparece no campo De: e diz o que fazer quando a checagem falha. Publicar os três não basta: sem alinhamento entre o domínio do De: e o domínio verificado, o DMARC continua falhando.

Se as suas mensagens caem no spam ou somem sem explicação, a autenticação do domínio é o primeiro lugar para olhar — antes do assunto, do texto e do horário de envio. É também o único item desta lista que é objetivo: ou o registro está publicado e correto, ou não está.

O que cada um dos três faz

Os três resolvem problemas diferentes e não se substituem.

ProtocoloPergunta que respondeOnde viveSobrevive a encaminhamento?
SPFEste servidor pode enviar por este domínio?Registro TXT no DNSNão — o servidor que encaminha passa a ser a origem
DKIMA mensagem foi alterada no caminho?Chave pública em seletor._domainkeySim, desde que o conteúdo não seja modificado
DMARCO que fazer quando as checagens falham?Registro TXT em _dmarcDepende de SPF ou DKIM passar e estar alinhado

O detalhe que quase todo mundo erra: alinhamento

O SPF não verifica o endereço que o seu cliente vê. Ele verifica o envelope da mensagem (o MAIL FROM, também chamado de Return-Path), que muitas plataformas de envio preenchem com um domínio próprio delas.

O DMARC existe justamente para fechar essa brecha: ele só considera a mensagem autenticada se o domínio que passou no SPF ou no DKIM for o mesmo que aparece no campo De:. É por isso que existe o caso clássico de quem publica tudo, vê "SPF: pass" no cabeçalho e mesmo assim leva dmarc=fail.

Na prática: garanta que o DKIM seja assinado com o seu domínio (o d= da assinatura precisa ser o seu, não o da plataforma) ou que o Return-Path use um subdomínio seu.

Como configurar o SPF sem estourar o limite

O SPF é um único registro TXT na raiz do domínio. Um exemplo típico de quem envia pela AraraSend e ainda usa o Google Workspace:

v=spf1 include:_spf.ararasend.com include:_spf.google.com ~all
  • Um registro só. Dois registros SPF no mesmo domínio invalidam a checagem — se precisa somar remetentes, some os include: dentro do mesmo registro.
  • Dez consultas de DNS. A especificação limita a avaliação a dez consultas; passar disso resulta em permerror, que na prática é o mesmo que não ter SPF. Cada include: costuma consumir uma ou mais.
  • ~all ou -all. O til é falha branda ("provavelmente não é meu, mas aceite e anote"); o traço é falha dura ("rejeite"). Comece com ~all e endureça quando os relatórios do DMARC mostrarem que nada legítimo está de fora.

Como configurar o DKIM

O DKIM assina cabeçalhos e corpo com uma chave privada guardada no servidor de envio, e publica a chave pública no seu DNS. A entrada tem um seletor, que permite mais de uma chave no mesmo domínio — uma por sistema que envia por você.

  1. Gere o par de chaves na plataforma de envio (prefira 2048 bits; 1024 ainda funciona, mas é o piso).
  2. Publique o TXT em seletor._domainkey.seudominio.com.br.
  3. Confirme que a assinatura sai com d=seudominio.com.br. Se sair com o domínio da plataforma, o DMARC não vai alinhar.
  4. Nunca reaproveite o mesmo seletor entre ferramentas diferentes.

Como configurar o DMARC em três etapas

O erro mais comum aqui é começar por p=reject e derrubar o próprio faturamento — notas fiscais, recuperação de senha e sistemas internos costumam enviar por caminhos que ninguém mapeou. A ordem segura leva algumas semanas:

EtapaRegistro em _dmarcO que acontece
1. Observarv=DMARC1; p=none; rua=mailto:dmarc@seudominio.com.brNada muda na entrega; você passa a receber relatórios diários de quem envia em seu nome
2. Conterv=DMARC1; p=quarantine; rua=…O que falha vai para o spam em vez da caixa de entrada
3. Rejeitarv=DMARC1; p=reject; rua=…O que falha é recusado ainda na conversa SMTP

Fique na etapa 1 até os relatórios mostrarem, por pelo menos duas semanas, que todo remetente legítimo está autenticando e alinhado. Só então avance.

Cinco erros que mais aparecem

  • Dois registros SPF. Costuma acontecer quando se contrata uma segunda ferramenta e se cria outro TXT em vez de editar o existente.
  • Copiar o SPF de outra empresa. O registro descreve a sua infraestrutura; copiado, autoriza servidores que não são seus e deixa de fora os que são.
  • DMARC sem rua. Sem endereço de relatório, você endurece a política às cegas.
  • Assinatura DKIM com o domínio da plataforma. Passa no DKIM, falha no DMARC por desalinhamento.
  • Esquecer os domínios que não enviam. Domínio parado também é falsificado: publique v=spf1 -all e p=reject nos que não mandam e-mail.

Como conferir que ficou certo

Não confie no painel de quem vendeu a configuração. Envie uma mensagem real para uma caixa no Gmail, abra o menu da mensagem, escolha "Mostrar original" e leia o cabeçalho Authentication-Results. Você quer ver as três palavras:

spf=pass  dkim=pass  dmarc=pass

Se aparecer dmarc=fail com spf=pass, o problema é alinhamento, não configuração de SPF — volte à segunda seção deste guia.

Perguntas frequentes

Preciso mesmo dos três protocolos?

Sim. SPF sozinho não sobrevive a encaminhamento, DKIM sozinho não diz ao provedor o que fazer quando falha, e DMARC sem os outros dois não tem o que verificar. Desde 2024, Gmail e Yahoo passaram a exigir os três de quem envia grande volume.

Quanto tempo leva para o registro valer?

A publicação no DNS costuma propagar em minutos, mas depende do TTL configurado na zona — pode levar até 24 horas para todos os servidores enxergarem. Confira sempre com um envio real antes de considerar concluído.

Posso começar direto com p=reject no DMARC?

Pode, mas é arriscado. Sistemas que enviam em seu nome sem ninguém lembrar (ERP, emissor de nota, formulário do site) passam a ser rejeitados de imediato. O caminho seguro é ficar em p=none até os relatórios mostrarem que todo remetente legítimo está autenticado.

O que é o limite de 10 consultas do SPF?

A especificação do SPF limita a dez o número de consultas de DNS necessárias para avaliar o registro. Cada include: consome pelo menos uma. Passando desse limite, o resultado é permerror e a checagem falha, mesmo com o registro aparentemente correto.

Fontes

  1. RFC 7208 — Sender Policy Framework (SPF)
  2. RFC 6376 — DomainKeys Identified Mail (DKIM)
  3. RFC 7489 — Domain-based Message Authentication (DMARC)
  4. Google — Diretrizes para remetentes de e-mail